sábado, 19 de novembro de 2011

Ainda Sou Feliz Neste Mundo Que Tanto se Contradiz



Um simples camponês viciado
sentado em uma cadeira de balanço
nunca mais andei armado
de tanto fugir as vezes me canso


o sangue da guerra corre em minhas veias
lembranças de um pobre aventureiro
não consigo achar minhas meias
e nem um mundo melhor de que não fui herdeiro


ainda sou feliz neste mundo que tanto se contradiz
o passado me espanca de dar dor
era um bom menino, fugi da raiz
o futuro negro me distancia da chance de ter amor


mãos calejadas de cortar madeira
as mesmas que tiraram muitas vidas
vivendo o antes a minha maneira
espero gravetos ao invés de rosas envelhecidas


vejo vida, vejo morte
meu espelho reflete meu rosto enrugado
o rosto daquele que um dia achou que ser forte era a única sorte
visto hoje pelas pessoas como um simples retardado


sentado naquela cadeira de balanço sem medo de ver a morte chegar
pássaros cantando, um lindo jardim, o que me diz?
foda-se o mundo afora, ao meu mero consolo irei me entregar
mesmo assim ainda digo que sou feliz...




ainda sou feliz neste mundo que tanto se contradiz
o passado me espanca de dar dor
era um bom menino, fugi da raiz
o futuro negro me distancia da chance de ter amor


confinado em um campo de concentração
o passado insiste em ir e vir
honra e cidadania me levaram a maldição
de não ter para onde fugir


sem esperanças de uma noite de lucidez
me acabando junto com o mundo
levo este peso, sou a vítima da vez
careço daquele sincero sentimento mais profundo


simples diversão variando desde olhar a paisagem até cortar um peixe
não de mesmo sangue daquele soldado morto
que matei friamente no terceiro reich
levo hoje do passado meu único conforto


estar vivo, o que nem sempre é o melhor a se fazer
cada pessoa e sua mente diabólica
os males que eu vejo se esbaldando com prazer
igual aquele tempo de perseguição a Igreja Católica



ainda sou feliz neste mundo que tanto se contradiz
o passado me espanca de dar dor
era um bom menino, fugi da raiz
o futuro negro me distancia da chance de ter amor


o destino severo me trouxe até onde estou
porcos e aves dependem de mim
vida tranquila e dependência química é o que me restou
sem medo de estar de frente com o fim


um mero detentor dos frutos de meu próprio trabalho
passo o dia todo falando sozinho
não tenho mais amigos para jogar baralho
tenho o dom de transmitir a solidão em meu violão de pinho


vivo a ilusão de achar que fui um herói de guerra em Berlim
passo a noite acordado e vejo o dia clarear
drogas já não são o suficiente para mim
sou feliz a minha maneira, o futuro negro está para me buscar... (♪)

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Um Simples Desabafo a Nível Nacional



Parece um programa humorístico sem fim
talvez não tão engraçado assim
vivemos dias de falsas esperanças
cento e noventa milhões de donos de tristes heranças


o dinheiro de nossos impostos cobrindo as genitais daquele ser infame
violência e falta de compaixão não são os únicos culpados pelo grande vexame
que somos obrigados a conviver todos os dias
desordem total em todas as subdivisões e categorias



estamos vivendo uma tragédia nacional
bem vindos ao terror da lesma judicial
atitude e ação, puxando a reação e a solução
telespectadores de um país a beira da degolação



um país onde o mais cego é aquele que nos representa
não se engane pelo rapaz com sua elegante vestimenta
o pão que poucos tem muitos sofrem para ter
até quando cada porco fardado vai abusar de seu poder?


tire da manga seu naipe de copas de ás
famílias miseráveis não se satisfazem apenas com o auxílio-gás
o saldo positivo de impostos pagos por cada trabalhador
o futuro de nossa nação, cada dia mais assustador


olhamos por aquele pobre cidadão vítima da injustiça social
aquele idoso de saúde fraca em uma enorme fila de hospital
discursos clichês não me parece nada poético
a fé e a força de viver daquele pobre doente sem convênio médico


estamos vivendo uma tragédia nacional
bem vindos ao terror da lesma judicial
atitude e ação, puxando a reação e a solução
telespectadores de um país a beira da degolação


população ativa, causa adquirida
o melhor não é aquele que tem seu rosto colado em postes de cada avenida
apoiando a pouca porcentagem remanescente
a estupidez a cada dia se tornando mais frequente... (♪)

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Celebração do Ciclo Inevitável


O tempo passando, memórias se apagando
lembranças surgindo, vidas se multiplicando
os queridos sendo lembrados, os esquecidos apenas vagando
o presente trazendo vidas, o passado levando um bando

a dor de não poder mais sentir aquele abraço
daquele ente querido que deixara um laço
uma dor equivalente a perder um braço
aquele que não compartilha mais de nosso mesmo espaço

vamos celebrar nosso ciclo inevitável
daquele revolucionário até o ser mais odiável
lembre daquele momento mais agradável
e também do triste fim daquele que veio ao mundo tão amável

a tristeza é sentida por aquele que já não está mais em nosso mundo
não deixe ela se alastrar em nosso sentimento mais profundo
onde está o rastro daquele que se foi no lugar mais fundo
vivos e mortos não estão em paz neste mundo que vai do incrível ao imundo

para os vivos a desolação, para os mortos a satisfação
de não serem vítimas da corrupção
mas são perseguidos pela imensa ingratidão
de todos aqueles que apoiam a violência e carecem de compaixão

nos túmulos de cada criança violentada eu coloco uma flor
lembraremos de cada jovem africano com sede e sufocado de calor
aquele que já sentiu no estômago e no olhar o infortúnio da dor
ou da criança indefesa que é jogada no lixo pela falta de amor

vamos celebrar nosso ciclo inevitável
daquele revolucionário até o ser mais odiável
lembre daquele momento mais agradável
e também do triste fim daquele que veio ao mundo tão amável

somos observados em qualquer lugar
nunca subestime a força de um olhar
que pode vir da maravilhosa brisa do mar
até a noite estrelada e um belo luar

os mortos não sofrem mais da falta de alimento
lembranças infinitas ofuscadas pela escuridão em um cerco de cimento
os queridos que estão vivos dentro de cada elemento
aos esquecidos que vagam eternamente junto ao vento

o triste fim daqueles que cairam com as famosas torres iguais
ninguém sai ileso neste mundo onde a violência cresce cada vez mais
a morte alcança desde o ente querido até o pobre trabalhador em canaviais
a maldade alheia desrespeitando a vida e burlando leis estaduais

vamos celebrar nosso ciclo inevitável
daquele revolucionário até o ser mais odiável
lembre daquele momento mais agradável
e também do triste fim daquele que veio ao mundo tão amável

a tranquilidade da população cede ao governo que brinca de ser brilhante
uma sirene vermelha indica a chegada do pesadelo ambulante
tirem as crianças das ruas, atenção redobrada e perigo constante
poucas atitudes e muitas falas em um país onde predomina o elegante

lembre-se de cada herói de guerra torturado e morto na antiga Berlim
segurança e qualidade, ilusões enfim, simples assim
consciência e bravura não está apenas naquele que prega em latim
temos um mundo a zelar pelos que virão, e por aqueles que já chegaram ao seu fim (♪)